Conheçam O PIQUE! por Lucas Barata




O Pique, projeto do carioca Rogério da Costa Júnior, lançou há pouco tempo na internet o EP “Sorri” e merece destaque pela sua qualidade e conceito. Felizmente, pude bater um papo descontraído sobre o trabalho com seu criador. Confiram abaixo:

Então, cara, como você idealizou o projeto?

Eu estava ouvindo muito Hot Chip, sabe? Eles fazem synth pop, um som feito de camadas de sons eletrônicos e de uma forma bem pop. Eles fazem um algo dançante com umas guitarras orgânicas, mas vê-se claramente que a estrutura é eletrônica. Eu tinha uma visão de começar pela parte orgânica de guitarra, batera e o eletrônico entrar como detalhe, mas comecei a perceber que em algumas músicas claramente o fundamento é eletrônico. Isso muda o seu modo de ver a música, você usa mais a cabeça do que a sua memória muscular quando vai compor. Quando você pensa numa melodia e passa ela pro digital, você faz mais um exercício de criação do que simplesmente se apegar a padrões do instrumento. De qualquer modo, eu fiquei inspirado em fazer todas as estruturas de forma eletrônica como uma experimentação já que eu nunca tinha trabalhado assim.

E você foi se descobrindo no processo?

Sim, muito do que eu compus poderia ser visto como um exercício para me acostumar com esse novo método. E foi muito legal, eu consegui quebrar certas barreiras.
Aliado a isso, eu quis usar esse projeto pra “quebrar as coisas que eu não sei”.

Como assim?

Eu queria por uma veia brasileira que eu nunca explorei. Eu sempre uso as referências do exterior como essenciais, mas nunca cheguei a explorar propriamente as coisas daqui...

Você queria ser mais brasileiro...

Sim. Eu tentei digerir o que eu conhecia de “brasileiro”e tentei importar para mim. E pô, de Brasil que eu conheço é da aula de história! Eu pensei “pô, quem faz a música são as pessoas” e cheguei a conclusão de explorar as nossas matrizes, no caso o nativo brasileiro, o índio, o europeu e o africano. Daí partiu a ideia de incorporar coisas como uma percussão indígena, uma flauta para evidenciar essa característica e usar também as duas outras matrizes nos próximos EP's, complementando a ideia desse. Um com a contribuição do Europeu, que seria instrumentos de corda e a língua portuguesa e também a contribuição africana que é predominantemente rítmica.

E você quer trabalhar tudo nessa estrutura eletrônica ou vai só continuar experimentando?

Não, não. Essa parada eletrônica é algo que está agora no meu baralho. Eu vou usar, mas não vou me apegar a ela. É só mais uma coisa para poder trabalhar, mas não vou me prender a isso.

Sobre o EP, me fala um pouco dele.

Cara, eu trabalhei todo o EP baseado em músicas específicas. Eu peguei tudo que eu achava “sampleável' delas e usei como se fossem as minhas cores. E aí eu dissequei os samples que eu queria e fui construindo os esqueletos das músicas para sustentar esses samples. Fui recheando com as influências que disse, toda essa coisa brasileira. Eu praticamente me ative a minha influência de Hot Chip e os samples que usei. No caso, eu trabalhei e compus mais algumas músicas, mas essas quatros fizeram mais sentido junto. São músicas curtas que propõem uma vibe e se atem a ela. Eu gosto de trabalhar assim, é algo meio hardcore.

Se você puder definir o EP em uma palavra, um mood...

Cara, é bem lounge. Coisa pra curtir rápido, tipo de música pra ouvir antes de sair de casa.

Só aquele climinha de antes de festa.

É, algo rápido pra ser consumido.

E tem show por vir aí?

Bem, pra botar isso na rua, eu vou mudar um pouco de rumo. O que eu pretendo fazer é levar essa estrutura eletrônica para uma de banda. Usar parte das músicas em formato de Jam e executar elas e outras novas com essa levada, deixar orgânico. Isso também faz parte da proposta do novo EP que vai ser algo mais enérgico. Eu tô ouvindo muita coisa que vai funcionar de influência periférica, então não sei direito o que vai sair.

O que você propõe?

Uma mistura meio Jimmy Hendrix com Jards Macalé.

É, essa é uma proposta muito alta!

(Risos)

Se você conseguir, eu vou ficar maluco.

Mas isso são os detalhes. Com certeza o que vai continuar é uma pegada meio disco e meio groove.

Então, é isso aí. Muito obrigado pela conversa, Rogério.

Nada!

Confira o EP “Sorri”d'O Pique no soundclound em:





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