Perdida - Por Meise Renata

“Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso.”

   
Sofia é uma mulher de 24 anos que não acreditava no amor em hipótese alguma. Certa vez fora machucada por um namorado, e desde então passou a ter a concepção de que o amor não era algo instigante; casamento então? Sofia não entendia por que as pessoas se casavam.

   “Viver em função de uma única pessoa, como se sua vida só tivesse sentido com ela por perto? Acordar e olhar para a mesma pessoa todo santo dia? (...) não era um tipo de sentença de escravidão, pelo menos?”

   Tudo começa a mudar quando ela acidentalmente deixa o celular cair na privada. Como é que uma pessoa, em pleno século XXI, consegue viver sem celular? Pois bem, dado como perdido, Sofia vai em busca de um novo celular. A partir do momento que ela adquire seu novo “monstrinho” com uma vendedora pra lá de esquisita, percebe que tudo ao seu redor mudou. Sofia estava no século XIX, ano de 1830. Ela estava perdida. 

   Com a justificativa – daquela vendedora maluca –, de que ela “estava onde deveria estar”, Sofia tenta entender como e por que fora parar lá. Logo percebe que viver em um século completamente diferente do seu não será nada fácil.

   Ela sabe que precisa encontrar algo ou alguém por lá, mas não faz a mínima ideia do que ou de quem possa ser. Até conhecer Ian. Ian mudaria tudo em sua vida. Ian, aquele que abalaria suas “estruturas”.  O que acontecerá com Sofia? Será que ela encontrará o que procura?

   Nesse livro, a autora nacional Carina Risse esbanja graça e magia, fazendo da personagem principal – Sofia –  a alegria pura. Na minha percepção, percebi que Carina tentou com esse livro, fazer um balanço das principais mudanças que ocorreram entre os séculos XIX e XXI, mas, principalmente, conseguimos perceber a crítica que a autora faz – ou pelo menos é essa a impressão que nos passa – das mudanças comportamentais dos seres humanos e do ambiente que ele criou. Podemos constatar isso em algumas passagens de Sofia:

   “Pensei com amargura que era uma pena as pessoas de hoje não serem mais assim, não sorrirem com tanta facilidade, como Ian fazia.”

   “Enquanto nos aproximávamos, olhei ao redor, admirando mais uma vez a beleza do lugar. Era tão diferente do que eu estava habituada, sem aquela poluição de outdoors, letreiros, homens-sanduíche, cartazes, ambulantes vendendo cacarecos...”

   A narrativa é rápida e de fácil compreensão. Carina compartilha conosco as esquisitices do século XIX (ora, para nós, meros humanos do século XXI, as coisas daquela época são esquisitas), e nos apresenta a mudança de Sofia ao longo da história. O livro é cativante e duvido você não se apaixonar por Sofia e principalmente por Ian. Não perca a oportunidade de ler esse sucesso da literatura nacional! E ah, vocês sabiam que Perdida vai virar filme? Imaginem o quão lindo ficará!



Meise Renata é blogueira do blog Viciadas em Livros 

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