D.R – Entrevista com Ernesto Xavier - Por Marianna Kiss

Relações modernas vêm acompanhadas por problemas e, consequentemente, por aquelas conversas intermináveis para resolvê-los, as famosas DR´s – discutir relação. E é com essa temática que o escritor Ernesto Xavier vai lançar o “D.R.- Discutindo as relações” na próxima sexta-feira, dia 18 de outubro, às 18h no Espaço Multifoco na Lapa - Av. Mém de Sá, 126.



Ernesto é um carioca de 29 anos. Ator desde os 13 anos, jornalista e roteirista cinematográfico. Ele começou a escrever pela necessidade do escritor nato que há em si, “as palavras precisam sair de mim, senão enlouqueço”, mas assume que a tentativa de entender a alma feminina é sua maior fonte de inspiração. Segundo ele, as mulheres são mais interessantes, lidam melhor com os sentimentos e se expõe mais.

Ele sempre leu muito e desde pequeno devorava livros. Com o tempo foi colocando suas próprias histórias no papel. Alguns amigos da escola pediam que Ernesto escrevesse cartas para as namoradinhas, e ele, gentilmente fazia. Depois, com 17 anos, foi incentivado por uma tia para escrever textos políticos e divulgá-los na internet. Aos poucos o amor foi virando o tema central e assim passou a ser até então.

“D.R” é um livro de crônicas e contos que tenta entender os relacionamentos de hoje. Discute o porquê de homens e mulheres terem tanta dificuldade de comunicação e parecerem falar línguas distintas. As diferenças entre eles, medos e angústias. Mas ele não entrega todo o segredo do livro, “D.R. fala disso e um pouco mais”. O autor diz que colocou um pouco de si e do que viveu em cada história. Nunca de forma literal, mas ele buscou inspiração no que via, ouvia e vivia.

Como amante da literatura, Ernesto tem lido muito as crônicas do Marcelo Rubens Paiva, Carpinejar e do João Paulo Cuenca, além dos romances do Daniel Galera e Marçal Aquino. E elogia a literatura brasileira que está em um ótimo momento. Ele se arrisca ainda num projeto para um livro infanto-juvenil que fala de futebol e a relação das crianças e adolescentes com seus clubes do coração. O autor promete concluí-lo em breve.

Voltando ao “D.R”, o número de fãs tem crescido e as mulheres podem ficar felizes porque o escritor está solteiro. Ernesto começou a divulgar seus textos por meio de um blog e depois pelo Facebook. Nas redes sociais o feedback foi incrível. Debates foram criados, e opiniões diversas sobre o tema pegaram fogo, o que se tornou gratificante para o autor, principalmente quando ele percebe que mexe com o que as pessoas escondem em seus íntimos.

“D.R” guarda outras surpresinhas, como por exemplo, o prefácio escrito pelo tio do autor, Miguel Falabella. Ernesto menciona também com muito carinho, o amigo Paulo-Roberto Andel, que o indicou para a editora, além de toda a sua família que o incentiva e apoia incondicionalmente, e a três mulheres em especial: Izabela, sua tia; Christina, sua mãe e Chica, sua avó. “Parece clichê, mas elas são as principais responsáveis por isso estar acontecendo”, relata o escritor.

No final da entrevista eu pedi uma palhinha da sua obra, e ele cedeu:

Primeiro conto do livro “D.R.- Discutindo as Relações”

“O homem matemático

O homem em seus devaneios quase matemáticos calcula os passos, cada palavra a ser dita, respostas e variáveis para o diálogo, traça a parábola que o levará até ela, se diminui, depois bebe e se multiplica de forma exagerada, na tentativa da coragem inalcançável na sobriedade.

Encostado no balcão ele fita a presa com um olhar discreto. Apenas para as análises preliminares. Sente algo diferente, como se pudesse imaginar claramente que futuro teriam juntos: a cor da casa e do carro, o nome dos filhos, a cidade preferida nas férias, a música que tocaria na entrada dela no casamento, sua comida favorita e quem sabe até qual filme do Woody Allen ela gosta mais. Suposições que o homem matemático faz enquanto calcula suas possibilidades, probabilidades.

O homem matemático é capaz de se apaixonar várias vezes ao dia. Seu prazer não está na conquista e sim nas fantasias criadas em alguém que vê em um vagão do metrô, numa sessão de cinema francês à tarde em Botafogo ou em um chopp com os amigos em Santa Teresa. Não há hora ou lugar. São trocas de olhares que ele vai colecionando em sua estante emocional de relacionamentos nunca consumados. Juras de amor eterno que não foram ditas, rompantes de ciúme que jamais chamarão a atenção dos transeuntes, demonstrações de afeto que não serão invejadas pelas amigas dela, pois nunca aconteceram.

A vida do homem matemático(ou quase) é bem agitada. Ele não terá histórias reais para contar na mesa do bar, porém dirá com profundo pesar que deixou a mulher de seus sonhos escapar num ponto de ônibus, quando ela ao entrar em seu coletivo olhou sorrateiramente para trás, cruzou seus olhos com os dele e fez daquele segundo em silêncio a mais bela poesia que ele já ouvira. Ela partiu Barata Ribeiro abaixo enquanto ele se postava impávido vendo a perfeita mãe para seus filhos partir sem deixar um número ou contato do facebook. Talvez se o tivesse, descobriria que eles tinham em comum uma amiga que estudou com ele no primário do Andrews e também um fortão que fez natação com ele no Fluminense há 4 anos passados. Fortão que costumeiramente comentava as fotos dela. Seria alguma espécie de ficante sazonal? O homem matemático não mensurava o tamanho da decepção que teria com uma confirmação dessas. Resolveu nem pensar. E como poderia? Não tinham trocado nem um “oi”.

Os amigos do homem matemático gostam dele assim mesmo.  Já tentaram mostrar para ele que os relacionamentos são mais humanos ou biológicos do que exatos. Mas ele insistia em dizer que preferia encontrar o valor do seu “x” dentre tantas variáveis ao invés de ser enganado por prosopopéias ou versos alexandrinos. Vivia o rigor de suas fórmulas, sabia projetar o resultado de cada relacionamento dos amigos, embora não tivesse feito o mesmo em sua vida.

O tempo também passará para o homem matemático. Assim talvez veja que a direção a seguir não será uma questão de vetores e que no amor, para multiplicar é preciso em primeiro lugar dividir.”



O livro está à venda no site www.editoramultifoco.com.br e pela fanpage http://www.facebook.com/DRolivro.
Comunicação:
Instagram e Facebook: Ernesto Xavier
www.impublicaveiscontos.blogspot.com.br
www.detetivebennett.com.br



2 comentários:

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