O Diário de Suzana para Nicolas - Resenha

"Você percebe que o trabalho é uma bola de borracha, ou seja, se você a deixar cair, ela voltará. E então se dá conta de que todas as outras – família, integridade, amigos e saúde –, são feitas de vidro. Se você deixar cair, elas quebram, ou arranham, ou ficam lascadas"

O Diário de Suzana para Nicolas” sem dúvidas é um dos livros mais tocantes que já li nos últimos dias. É uma história de vida, linda por sinal; é emocionante demais e realmente bastante reflexiva.

   Suzana Bedford é uma médica de 35 anos que após ter um ataque cardíaco decide se mudar para a Ilha de Martha’s Vineyard para cuidar melhor de sua saúde.

   “... Saí de Boston. Deixei para trás todos os compromissos que estavam me matando. E me mudei para o único lugar do mundo em que sempre fui feliz, fui para lá a fim de curar meu coração. 

   Eu vinha dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum, vivia no limite. Alguma coisa em minha vida acabaria não aguentando essa rotina. Infelizmente, foi meu coração.”

   Naquela Ilha ela passou momentos maravilhosos com seus avós durante os verões na sua infância, por isso decidira morar lá. Reencontrou Matt Wolfe, o seu primeiro namorado; contratou um “faz tudo” e principalmente pintor para consertar sua casa – que, coincidentemente chamava-se Matt. Mattew Harrison. E é a partir dele que o livro começa a fazer sentido.

   Quando começamos a ler o livro, nos deparamos com a história de Kate – ex namorada de Matt. Ele terminou com ela e deixou um diário intitulado “O Diário de Suzana para Nicolas” e embora Kate não entendesse o por quê do rompimento, decide ler o diário. 

   O autor relata a vida de Suzana, que decidiu escrever um diário para seu filho Nicolas logo que ele nasceu, mas lá ela conta a história da sua vida a partir do dia que teve o ataque cardíaco em Boston. Os capítulos são curtinhos e são extremamente tocantes. 

   Matt Harrison é o homem por quem Suzana se apaixona. O homem por quem Katie se apaixonaria; o homem que fazia poemas, tal como o título de seu livro, Canções de um pintor de Casas, que ela mesma ajudara a lançar. O homem que foi machucado pela vida desde seus 8 anos.

   Suzana e Matt tem momentos maravilhosos juntos, e tem Nicolas, o menininho perfeito. São lindas as passagens que Suzana escreve para Nicolas. Mas o coração de Suzana ainda está frágil, ela não sabe o que vai acontecer. No diário ela escreve coisas sobre Nicolas e para ele, descreve seus sentimentos, angústias.
   “Vamos fazer um acordo, está bem, menininho? Todas as vezes que eu fizer você sorrir, teremos mais um ano juntos. Um ano inteiro para cada sorriso. Isso se chama pensamento mágico, Nicky. Só pelo que você sorriu no passeio de hoje, já teremos pelo menos uma dúzia a mais de anos juntos.”

   O que aprendi com o livro? Seria injusto da minha parte dizer que não aprendi nada. Muito pelo contrário, acredito que foi o livro que eu mais tirei lições práticas para a minha vida. É uma história muito triste e eu adorei Suzana, a maneira como ela escreve para Nicolas; acabei meio enciumada em relação à Katie e não gostei tanto dela. Mas o que Matt deixou para ela foi simplesmente lindo, como se fosse um pequeno guia para a vida dela e, consequentemente, para a nossa também. 

   No livro o autor escreve a Lição das cinco bolas, que é mais ou menos assim: existem cinco bolas, são elas trabalho, família, saúde, amigos e integridade. Você está fazendo malabarismo com elas e as mantém todas no ar. Aí, você percebe que o trabalho é uma bola de borracha, ou seja, se você a deixar cair, ela voltará. E então se dá conta de que todas as outras – família, integridade, amigos e saúde –, são feitas de vidro. Se você deixar cair, elas quebram, ou arranham, ou ficam lascadas. 

   “Matt era uma bola de vidro. Ele estava arranhado, marcado, trincado, mas talvez não estivesse estilhaçado. Ou talvez estivesse. “

   Deu para perceber o quanto eu amei esse livro, não é mesmo? Se você tiver alguma duvida quanto ler ou não esse livro, por favor, não perca a oportunidade de lê-lo. É incrível, realmente uma lição de vida. 




Meise Renata escreve para o Blog VICIADAS EM LIVROS

0 comentários: