O Escritor Nacional - Por Maud Epascolato


Olá, leitores do blog Cabana do Leitor.


 Quando fui convidada pelo Edilson para escrever para o blog, confesso que senti um frio na barriga. Isso porque considero uma responsabilidade escrever para tantos leitores. Sendo eu uma escritora (em início de carreira, é verdade!), não poderia escolher outra temática para a coluna que não a literatura. E como esse tema é extenso! 

Resolvi aceitar o convite. Seria um novo desafio. Embora eu esteja engatinhando no mundo literário, falar um pouco desse meio é muito enriquecedor. 

Escolhi como assunto do primeiro texto o ESCRITOR NACIONAL – esse ser neurótico, dotado de criatividade e sonhos, que experimenta uma gama de emoções e está sempre disposto a surpreender o seu leitor. 

Mas quem é o escritor nacional? 

É uma pessoa comum, como tantas com quem você esbarra por aí. Talvez mais centrado, mais sonhador, mais introspectivo, mais teatral, mais louco. Ou talvez não. Ele está em supermercados, ônibus, metrô, cinema, museus e baladas. A maioria possui uma vida dupla (com o perdão do termo). Sim, eles trabalham em outras funções e escrevem suas histórias nos períodos livres, nas madrugadas silenciosas. Ainda são poucos os que fazem unicamente da literatura suas vidas. Mas certamente viver da literatura é o sonho de todos eles! Trabalhar com o que se gosta é o sonho de todo ser humano. 
E o escritor é um ser humano... Fascinante! Encantador! Encantado! Com um dom concedido por Deus. 

Pois só Ele para conceder um talento sublime a um reles humano sofredor, que luta, que acredita! E que não pode desanimar diante de tantas arbitrariedades. O escritor nacional não tem o glamour dos estrangeiros, mas tem a garra do brasileiro, a força e a esperança de, um dia, ter seu livro na lista dos mais vendidos, de tê-lo traduzido e valorizado em seu próprio país. 

A batalha para ser lido em um país carente em educação é árdua. O problema da leitura vem da base, da educação. O preconceito a ser vencido é cultural, está enraizado no brasileiro, que valoriza mais o que vem de fora. Mas falar sobre educação e preconceito literário já são temas para outras postagens.

Então, leitor brasileiro, olhe a sua volta. Você encontrará uma variedade enorme de escritores competentes, criativos, de talento nato – e brasileiros de coração. Muitos nacionais são bem melhores que estrangeiros, mas não recebem o devido valor. Vença o preconceito e leia um autor nosso. Verá que qualidade nós temos de sobra; falta apenas o marketing e a oportunidade de estar num cantinho da sua estante, pronto para ser devorado e degustado como merecemos. Como você, leitor, merece.  

Em suma, o escritor nacional é um sonhador talentoso e crente de seu potencial, que batalha por um lugar nas prateleiras já abarrotadas de nossas parcas livrarias. E digo isso com conhecimento de causa. 
“Para o alto e avante!”, como diria o Superman, pois nós, escritores brasileiros, também somos super-heróis...


Maud Epascolato é escritora de terror e suspense, leitora e revisora de textos, autora da antologia de contos Medo do Escuro e outras histórias (a ser lançado na bienal do RJ/2013), dos contos Tempestade de Dezembro e Encontro com a Morte e do romance Morango Silvestre. Faz parte dos Autores Nacionais (AN), da Associação Nacional dos Escritores Brasileiros (ANEB) e do Clube dos Novos Autores (CNA).

5 comentários:

  1. Perfeito, Maud. Me vi no seu texto. Só com muita inteligência e sensibilidade (o que não falta em você), pode-se descrever o escritor brasileiro com tamanha fidelidade. Siga em frente, seu sucesso é certo. Parabéns.

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  2. Gostei muito de seu artigo. Concordo. É uma luta árdua!

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  3. Parabéns Maud, você descreveu bem o nosso sentimento. O caminho realmente é árduo, mas nossa vontade de vencer, como você citou, é maior, e nós iremos continuar lutando para enriquecer a literatura nacional!

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  4. Parabéns Maud! Você conseguiu, em poucas palavras, definir o escritor nacional: criatura de vida dupla que trabalha muito para sobreviver, e que ainda tem tempo para deixar um pedaço de si mesmo neste mundo louco em que vivemos. Uma luta diária.

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  5. Gostei muito do que escreveu, Maud. Com a elegância de sempre você conseguiu demonstrar em poucas palavras o que é o autor nacional. Nosso caminho é feito de pequenas batalhas no dia a dia. Não temos o marketing dos autores estrangeiros, mas temos a garra dos brasileiros. Disse tudo! Um dia viramos esse jogo e mudamos essa cultura de valorizar mais o que está longe do que está aqui, ao lado de todos.

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