DE REY A REI - Por Marianna Kiss

Continuando a dobradinha de escritores… Meu muso de hoje é Reynaldo Araújo – quem é Rey nunca perde a majestade -, um mineirinho de 21 anos, que mora no Rio, há dois, e brinca com o imaginário de todos que querem ser Scarlet e Oscar ao mesmo tempo.

 Rey – acho mais charmoso chamá-lo assim – entrou no mercado homocultural com força total e se justifica dizendo que queria dar uma inovada na literatura. “A maioria dos livros com temática homossexual que eu conheço exploram mais o lado erótico, deixando outros temas, como família, sociedade e aceitação, de lado. Quando comecei Scarlet fui criticado em vários pontos, mesmo assim não hesitei em inovar, foquei mais nos problemas pessoais da personagem e dei pouca atenção aos momentos sensuais do romance”, explica ele.



  Seu primeiro livro,Scarlet, narra a vida de um adolescente, de cidade pequena, que cresceu em uma família preconceituosa. Oscar começa a se descobrir menina e se mostra insatisfeito com o corpo de garoto desde as primeiras páginas da obra. Ao se deparar com o mundo gay e se ver inúmeras vezes com os sentimentos feridos após tentativas frustradas de viver um grande amor, ele decide se transvestir e acaba se envolvendo em uma grande fantasia com um militar, heterossexual. Esse e mais outros motivos o fazem ficar indeciso e ele traça o conflito de um garoto que fica completamente perdido em sua identidade sexual. E você? É Oscar ou Scarlet? Risos.

 O escritor garante que o livro não é autobiográfico. E que também não foi inspirado em ninguém. Ele queria fazer algo diferente, que pelo menos nunca tivesse sido visto no mercado literário homocultural. “Então criei o personagem, a sua personalidade, e outras personagens que o cercariam. Em seguida, criei o drama e o enredo. Por fim, me coloquei na perspectiva da personagem e comecei a traça-la baseando em como eu me sairia naquelas situações”, ele conclui.

  Diferente de Oscar, Rey não sofreu preconceitos no âmbito familiar. “Eu costumo dizer que tenho a melhor família do mundo, pois nunca sofri nenhum tipo de preconceito em casa ou por qualquer parente que seja”, ele sorri e acrescenta que a homossexualidade é um tema natural, mesmo porque tem dois primos gays, que também são bem aceitos por todos.

Já escrevi sobre esse tema antes. O apoio familiar é fundamental para a vida de um homossexual e evita diversos problemas comportamentais futuros e de autoestima. No caso do escritor isso ajudou muito e ele se considera uma pessoa muito bem resolvida – risos – e sem crise de identidade. E acrescenta:

“Quando somos novos tudo é novidade, a gente tem medo de tudo, a gente pensa no que pode acontecer depois, no que nossos pais farão, se eles ‘morrerão’ de desgosto. Tudo isso passa na cabeça de um jovem que começa a se descobrir gay. Comigo não foi diferente, eu tinha medo do que meus irmãos pensariam e no que os amigos deles comentariam… No que minhas tias e tios falariam… Tudo isso passava pela minha cabeça. Eu sempre senti medo de tudo, mas graças a Deus, meus amigos e família me aceitaram de braços abertos, no início foi complicado para a minha mãe, mas depois ela acabou aceitando que orientação sexual não está interligada ao caráter, e sim no ser ou não.”

  Reynaldo não parou no Scarlet. Ele e mais cinco autores – Alexandre Calladini, Christian Petrizi, Davy Rodrigues, Léo Rossetti, Occello Oliver – escreveram Censurado – Sexo, taras e fetiche, lançado em maio desse ano. O livro é uma reunião de contos eróticos gays escritos com foco no público LGBT. Alexandre e Occello fundaram o projeto e o selo “Lado B – edições”.




 Agora está a caminho o Fora do meu aquário, ainda sem data para lançamento. Mas sobre esse, Rey faz mistério, “tenho mantido em segredo todo o conteúdo desta nova obra. Assim como fiz com Scarlet, o conteúdo só será divulgado no dia do lançamento. Só posso adiantar que o livro é uma reunião de crônicas sobre situações pelas quais passei ou muitas até então inventadas por vontade de ter passado”.



 Hummmm… Pergunto se há algum fato de sua vida escrita em algum de seus livros, ou algum fato real que
ele tenha transformado em ficção… Ele instiga a minha e a sua curiosidade, “O Fora do meu aquário está recheado com estes temas. Segredo!”.

Gente… Quando eu falo que todo mineirinho é uma gracinha, eu não exagero. Rey é pura simpatia. E ele escreve e desenha quadrinhos, desde pequenino e começou na literatura aos 17 anos. Nunca mais parou! E seus fãs agradecem. Ele ganhou vários após os dois primeiros livros. “É sempre gratificante uma pessoa do outro lado do Brasil te adicionar em redes sociais, mandar e-mail, ou uma mensagem dizendo que adorou a sua escrita, que seu livro, ou texto a ajudou, ou que se identificou totalmente com o que você passou e escreveu. Meus leitores são todos uns lindos… Amo todos… Se pudesse trazia todos comigo para onde quer que eu fosse”.

Leve-me então Rey, porque li o Scarlet e sou mega fã. E detalhe, pessoal: conheço cada cantinho do Fora do meu aquário, pois eu fiz a revisão ortográfica. Beijo pra mim!
O escritor acrescenta… “Acho que o mais gratificante é quando fazem alguma crítica construtiva, mas nada chega aos pés de quando eles torcem por algum personagem, pegam suas mágoas e dores, e mergulham na história com tudo”.

Ele finaliza e manda uma mensagem bacana para quem quer seguir essa carreira:
“Todo mundo possui o dom para a escrita, o diferencial é quando nós, munidos de coragem, conseguimos colocar todo o nosso sentimento para fora, invertendo-os em palavras para que, lendo, outras pessoas se identifiquem com aquela estória e se questionem muitas vezes se é algo real ou ficção. Se você possui isso, parabéns, não desista, vá em frente. Registre o seu trabalho, e em seguida, o apresente para editoras e escolha a que mais se enquadre com o seu perfil e a que mais te favorecerá”.

Querem saber mais sobre meu mineirinho predileto? Acessem o site e fan Page:


www.reynaldoaraujo.com

facebook.com/ReeyAraujo

twitter.com/X_reey

blogdoorey.blogspot.com



Um comentário:

  1. Mari, meus parabéns pela matéria. Saiba que sou um grande admirador seu e amigo também, embora não estejamos tão próximos quanto acostumávamos ser. Agradeço pelas belas palavras de seu livro que me ajudaram em alguns momentos pelos quais passei recentemente. É, não precisa ser uma mulher solteira para ler "Como ser uma mulher solteira?". Obrigado, Obrigado, Obrigado. Obrigado sobretudo pela sua amizade. Beijos sua linda...

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