Preenchimento de Vazios... - Por Marianna Kiss

 Não sou católica, tampouco acredito nas pessoas que me dizem que eu preciso de um intermediário para falar com Deus. Mas eu acredito na fé. Eu fui às ruas... E fui ver o Papa. Não me envergonho de assumir que ele me emocionou. Assim como me emocionou Jesus. Assim como me emociona qualquer homem que coloque a cara a tapa para liderar pessoas ao caminho do bem... Seja ele um rabino, um pai de santo, um pastor, um monge, um Papa, ou um homem comum. 



Todo líder me abala quando tira da marginalidade, do crime, das drogas e do ócio ruim, jovens de todas as idades, e os leva para o caminho da reflexão, do amor e do bem ao próximo. Seja dentro de um templo, na rua ajudando o próximo ou manifestando sua fé, ou ainda dentro de cada um transformando corações. 
Outras manifestações ocorreram em paralelo... Nada contra, desde que não houvesse desrespeitado a ideologia religiosa da que se fazia presente naquele momento. Na cidade há espaço e lugar para todos demonstrarem sua religião, cada qual na sua data e horário específicos, para que não haja conflitos. 

Não vejo necessidade de conflitos... Deus fala todas as línguas, e falar que o jeito certo de chegar até ele é na religião x ou y... Ou é a falta de religião... É o mesmo que dizer que literatura é apenas romance... Ou só ficção... E ainda, que exclui poesia e prosa. Defender que apenas um caminho é a direção, é o mesmo que dizer os escritores não devem escrever comédias, ou estender suas histórias a palcos e telenovelas. Restringir Deus a uma só voz é ignorar que comunicação é letras, música e devoção.  Limitar religião ao que “eu acredito” é o mesmo que permitir a entrada dos céus apenas aos imortais da Academia Brasileira de Letras.

Assim como os livros, o hábito da leitura e a literatura preenchem os vazios da imaginação, a fé em Deus ou divindades preenchem os vazios da alma de cada um. Deus e literatura ocupam corações, cada qual a sua maneira. E quem não gosta de ler? E quem não acredita em Deus? Esses também terão seus lugares no reino dos céus e os portais do conhecimento sempre abertos. Entrarão quando quiserem, desde que sem conflitos. Sem forma correta. Sem julgamentos de que estilo literário x é melhor que y, ou que literatura possa ser classificada em A, B ou C... Eu prefiro dizer que literatura é D, pois, Deus e literatura preenchem vazios. 

Portanto pessoal... Respeitem-se sempre, independente de suas religiões. Não tente converter ou convencer os amigos que sua religião é a melhor, ou que sua ideologia é o caminho certo. Isso não importa. E se é falado, escrito, digitado... Também não importa. O que vale de verdade é que os milhões de fiéis nas ruas nesse final de semana estavam fazendo festa e orando e não roubando, matando, se drogando ou levando outros seres humanos para as trevas. Estavam dividindo amor e não guerra. E paz é o que também querem todos os escritores que trabalham todos os dias em prol da sua imaginação.

Leia livros. Esqueça os conflitos. E respeite a fé alheia. Fica a dica!




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