Coluna Kiss - Escritora Classe B - Por Marianna Kiss

Escritora Classe B


  Em cerca de 700 dias muito ouvi, pouco chorei, muito trabalhei, pouco conheci.

 Assumo ser a tal taxada anti Cult, pseudo intelectual, escritora classe B.

  Não está na escala da minha vaidade estar no pedestal da Academia Brasileira de Letras, mesmo porque por baixo dos livros, soube da vida mundana de uma grande e renomada. Invejo sua vida, mas poupe-me da imagem santificada da intelectualidade lado A.

Hipócrita. Só fala de amor quem muito bem faz sexo.


 Garanto que os mais românticos textos de amor foram escritos pelos mais loucos tarados por sexo. Um ou outro poeta era monogâmico. A maioria pertencia ao mundo. 




 O que te inspira mais? É o que você não tem? Ou o que você se contenta em assistir? O que você lê nos livros escolares? Ou o que experimentas nas revistas coloridas reais?  Quem você come na frente dos pais? Ou o que te seduz a um universo paralelo o qual nunca te informaram que pudesse existir?

 Coexistir sim! Porque no mundo o que não é certo é “inexistível”, como essa palavra que acabei de inventar. Não sou classe A, mas me permitem a licença poética.

 Quem melhor para falar de sexo aqueles que padecem de amor? Amor se tem, a fantasia não se contém. Esquenta. Borbulha. Explode. Acorde! Quem tem apenas repete poemas, plagia frases, rouba momentaneamente ideias como a de um certo Jorge onde a moça rouba a estrela para dar de Natal ao marido. Agora eu entendo porque ganhei tantas ao longo da vida, em tantos natais, de tantos intelectuais que não me fizeram cócegas nem para gargalhar. Ah! De que me vale conhecer fulano ou sicrano com nomes que não sei pronunciar se não sou nenhum deles? Nem amiga deles? Nem conhecê-los eu vou? Para mim são apenas referências, mas eu prefiro admirar gente, que sobrevive no presente, que respira e escreve classe B que nem eu. 

 E que papo chato esses cults lado A que falam nomes de várias criações – as quais também julgo
 belíssimas – mas nenhuma sua. Eu tenho algumas. Muito conhecimento por vezes atrapalha. Você passa por falador. A boa é ser criador. Sou péssima leitora. Assumo. Mas isso não me abala e a culpa não é minha. Juro que é da criação que formiga em meu cérebro na página um. Viu?! Sem culpa.

  E para que vou escrever livros para meia dúzia de intelectuais que vão me julgar, me crucificar, criticar, me jogar lá em baixo e só me dedicar prêmios e nomes de prédios quando eu morrer? O troféu que desejo é alguma leitora louca que descobriu meu celular, não sei como, me interromper no meio de um cigarro para dizer que ela e as 200 funcionárias de uma loja de roupas femininas querem meu livro só porque riram no meu blog!

 Longa? Perdeu-se? A redundância é dos intelectuais. Eles se perdem, perdem seu livro e perdem a memória daquele prêmio literário que você ganhou. E daí, a tal intelectual lado A que não tem nenhuma criação me bronca porque não fiz a pergunta completa ao entrevistado. Alguém a avisou que os caras estão lá de saco cheio e doidos para irem embora, então quanto mais rápida e fácil for a perguntar, mais simpática será a resposta e todos saem felizes?

 Quero escrever para classes sem lados, classes sem classes, classes de A a Z que apenas querem ler alguma coisa. De preferência comédia, pois de drama já basta a realidade.
Quero ser lida por milhões que me permitirão viver de criar e não para seis que por outra intelectual do momento, vão me ignorar.


 Eu não quero tirar a roupa de novo para vender livros. Por outras causas, talvez. Sou pseudo escritora que fala de amor com o desdém do sexo. E daí? Amei! Fudi! E isso tudo me fez chegar até aqui! Sou a anti Cult que acha chato todos aqueles filmes da mostra competitiva e só se veste de festival porque escreveu um roteiro. Lindo. Longa. Livro. 


 Sou a escritora classe B, carne de terceira, que come xepa de feira. É da dor que surgem as histórias, apenas maquio-as em piadas, pois antes rirem para mim do que de mim.

E daí que não entendo nada de cinema. Seu crédito vai nas perguntas e eu que fiz todo o trabalho: jogo de cintura, fazer “nãos” em “sins”, me enfiar debaixo de um tripé global para conseguir uma frase. No mínimo edita! Mas nem isso! Na pressa de escrever faltou uma letra. Nada que o corretor ortográfico do Word não conserte depois. 

 Estive lá infiltrada. Infiltrada de você, lutando para aparecer. E você?! “Tem que perguntar ao chefe primeiro”. Quem pergunta ao chefe primeiro nunca sai do quadrado, nunca ultrapassa limites. Eu quero aquela placa ali. Roteirista. O cara que pode ser o diretor, mas se não for, é o cara que criou todo o enredo. Sopro da vida. Criação. Onde o poder de decisão da vida e morte é minha. Chefe? Sou eu!

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